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'Em países sérios, não dá para mentir para a polícia e escapar', diz analista americano:
A gravação é mais um furo na narrativaLochte sobre o assalto, que foi considerada fantasiosa pela polícia. Em entrevista coletiva na tardequinta-feira, Fernando Veloso, chefe da Polícia Civil do RJ, afirmou que um dos nadadores teria confirmadodepoimento que o roubo não aconteceu da forma como foi contado inicialmente.
Para Winter, a atuação das autoridades brasileiras no caso, inclusive impedindo a saídadois dos nadadores do país, foi adequada e necessária para a investigação. Na quarta-feira, Bentz e Conger foram retiradosum avião no aeroporto do Galeão, quando estavam prestes a viajar para os Estados Unidos.
"Ouvi algumas pessoas dizerem 'ah, isso mostra que as autoridades são agressivas'", prossegue Winter. "Mas é um caso clássico dos 'dois pesos e duas medidas' que os americanos têm para a América Latina. Em países sérios, você não pode mentir para a polícia e achar que vai escapar com isso. É crime."
De acordo com o americano, o caso é mais uma prova da força das instituições do país, o que seria visível nas recentes operaçõescombate à corrupção.
"Olhe isso no contexto do que aconteceu nos últimos três anos no Brasil. Tudo disse respeito a instituições legais fortes, como na Lava Jato. Este é outro casoinstituições brasileiras trabalhando como deveriam."
Agindo dessa forma, opina o analista, o Brasil deixa uma mensagem aos americanos.
"Sei, pela minha experiência, que o Brasil é um país com instituições policiais sólidas, onde você não pode fazer isso. Parece que agora eles sabem também."
'Velho-oeste'
Segundo o especialista, é essencial esclarecer o relato antes"tudo ser perdoado", porque ele teria prejudicado a imagem do Brasil no exterior, fortalecendo a ideiaque o Rio é um grande "velho-oeste".
"(O relatoroubo) esteve na capaum grande jornalNova York, estátodos os programas televisivos matinais, nos noticiários. E reforça essa imagem que muitas pessoas já tinham do Rio como o velho-este. É por isso que a verdade é tão importante."
O analista diz que a revolta dos brasileiros nessas circunstâncias é compreensível, porque o fatoos atletas acreditarem que podem - pelos indícios apresentados até agora - criar uma história "extremamente ridícula" e "repeti-lafrente a milhõespessoas" sem punição é "ofensivo para os anfitriões".
Frente aos novos desdobramentos, o sentimento da maioria dos americanos évergonha, afirma Winter.
Segundo ele, até os veículosimprensa que inicialmente adotavam um tomdefesa dos nadadores devem mudarcobertura com a divulgação do vídeo do postogasolina.
"Como um americano que viveu na América Latina por dez anos, fico envergonhado quando os homens do meu país viajam para a região e se comportam assim. Agora quero ouvir o que eles têm a dizer. Se ficar provado que tudo foi inventado, os americanos devem aos brasileiros um pedidodesculpas", opina.
"Todos (Comitê Olímpico dos Estados Unidos e o governo americano) vão ter que falar algo e vai ser vergonhoso. Mas, uma vez que a verdade for dita, vai acabarpizza."
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